Histórico do prédio da Casa Pia e Colégio de Órfãos de São Joaquim

“Descrição e pertences: Edifício de notável mérito arquitetônico, que compreende colégio, capela e instalações de captação de água de encosta, transformada em banheiro de orfanato no século passado. A construção se desenvolve em torno a um grande pátio em dois pavimentos. A capela apresenta uma galilé de 3 arcos, superposta por tribunas em lugar de coro, como na solução tradicional franciscana e beniditina. A pintura do teto é de Teófilo de Jesus de 1826 alusiva à Anunciação da Virgem, bem como os três quadros para altares  alusivos a S. Pedro de Alcântara, N. Senhora e Santíssima Trindade na capela-mor; ainda da mesma autoria, os quadros de Santana, S. Joaquim e a Virgem no altar ao lado do Evangelho, representando a morte de São José assistida por Cristo e a Virgem no altar do lado da Epístola. Trabalharam nas obras de talha inúmeros irmãos no período de 1722 a 1748, mas a talha atual dos altares, púlpito, tribunas e coro é neoclássica. Possui mobília de jacarandá do séc. XIX no salão nobre.

Dados tipológicos: Construção conventual desenvolvida em torno a um imenso claustro. A capela ocupa o meio do “quarto” frontal, partido adotado no Seminário de Belém de Cachoeira (BA) e proposto pelo Pe. S. de Vasconcelos para o Colégio de Salvador em 1654. A igreja apresenta uma solução curiosíssima. O eixo da nave é paralelo à fachada principal. Esta disposição permitiu que o volume da igreja não interferisse no claustro.

Separadamente, planta e facha têm como modelo as igrejas matrizes e de irmandade do começo do séc. XVIII, mas reinterpretadas de maneira criativa.  Os corredores são substituídos pela galilé e galeria do claustro. O corpo central da fachada não corresponde à nave com coro elevado da solução tradicional, mas, sim, galilé e tribunas superpostas. Ela repete com sucesso a experiência da igreja do Colégio de Jesus, ao tentar conciliar a fachada de duas torres com nova fachada romana de frontão clássico ladeado por volutas. Sua fachada, como a da Conceição da Praia, é flanqueada por corpos de construção à maneira do convento de Mafra de Ludovice. As janelas com frontões sem entablamento evocam a Lisboa pombalina, tendência que se faz sentir em outras igrejas, que receberão componentes de Lisboa, como Conceição da Praia, Nossa Senhora do Pilar e, inexplicadamente, a de Santana.
“Dados cronológicos ( históricos - arquitetônicos ): 1704 – Fundado o Noviciado em terreno doado pelo bandeirante Domingos Afonso Sertão, desbravador do Piauí; 1705 – O general da Companhia aprova a fundação; 1706 – Licença para a construção dada pelo rei; 1709 – Lançada a 1ª. pedra em 09/III. O projeto original foi remodelado pelo francês Charles Bellaville S. J. As obras foram dirigidas pelo Pe. José Aires, com assistência do projetista. Bazin afirma que o irmão Jácome Antônio Barca, italiano de Como, trabalhou também como arquiteto; 1724 – Domingos A. Sertão, em testamento, doa recursos para a conclusão das obras. Nesta época estavam concluídos 3 corredores e a capela; 1728 – Realizada a inauguração oficial; 1732 – Construção do 4º corredor, lado da igreja; 1736 – Trabalhos na capela-mor e coro; 1759 – Renovados as torres e o frontispício, construída a capela mortuária e uma muralha para proteger o edifício da ação do mar; 1760 – O monumento passou à propriedade da Coroa com a exclusão da Companhia de Jesus; 1818 – O Conde da Palma, governador da Bahia, pediu a D. João VI a doação do prédio para que o beato Joaquim Francisco do Livramento nele estabelecesse um colégio para os órfãos; 1825- O orfanato é inaugurado; 1826 – José Teófilo de Jesus executa a pintura do teto da igreja.”
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